quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

CANETA NA MÃO E UMA IDÉIA NA CABEÇA

Detesto quando sou tomado por esses arroubos para escrever e no final não sai nada que se aproveite. Dá uma sensação de vazio, pois fico com a caneta na mão, olhando para o papel também vazio, e aí a mente se perde, mas com a caneta firme na mão, esperando algo acontecer, e só saem alguns rabiscos no papel, mas com a caneta firme na mão.

Gosto de escrever (quando consigo!) com caneta e só depois é que digito, não sei explicar, mas acho que assim tenho uma liberdade de criação maior. Afinal, cada doido com a sua mania! Eu tenho uma amiga que só escreve com lapiseira, pois não se sente à vontade em usar a caneta. Disse para ela que isso se deve a uma condição de poder, ou seja, ela tem o poder de alterar, de apagar e “lançar” o escrito no esquecimento.

Acho que muitas pessoas gostariam de ter escrito seu passado com lapiseira (ou lápis), hoje seria mais fácil para elas enfrentá-lo. Bastava encara-lo com uma borracha na mão, e ele (o passado) ficaria quietinho no canto dele, sem riscos de insubordinação, praticamente suplicando para não ser eliminado e aí teríamos a garantia que ele não voltaria. Uma vez li uma frase – não sei de quem é – e concordo com ela, dizia assim: “O passado nunca reconhece seu lugar, está sempre presente”. Porque realmente ele está sempre à espreita, só esperando uma “abertura” para aparecer na nossa frente e nos fazer lembrar das nossas decepções, dores, e claro, das nossas faltas.

Algumas coisas do meu passado eu escrevi a ferro e a fogo, o que é um problema, pois esse passado está bastante presente na minha vida e não tem como eliminá-lo.

Sorte da minha amiga que só escreve com lapiseira!

6 comentários:

daniela disse...

Ótimo texto Dan ;)

Realmente, tem muitas coisas na nossa história de vida que gostaríamos de ter feito diferente, ter adotado outra postura. E quando lembramos dessas coisas nos parece incrível a idéia de poder apagá-las, mudá-las, passar uma borracha, como disse o texto. Porém tudo o que fizemos - incluindo nossos erros e falhas - nos transformaram nas pessoas que somos hoje. E isso é a grande dádiva da experiência do erro. Aprender com ele, se reerguer e seguir adiante.

Mas não tenho como negar que por vezes passar uma borracha no passado parece uma idéia irresistível.

guianafrancesa2005 disse...

O seu modo de escrever é simplesmente demais.
Parabéns!

E o acompanho no BBostaB. Muito boa suas "tiradas"!!!
huahuauhhuahauahua!!!!

bjs, Atriz
www.inventandoagentesai.blogspot.com

Maurício disse...

Engraçado... nos concentramos tanto em evitar que as dores passadas não resurjam que nem percebemos quando a perspectiva mudou e as dores passadas agora são motivo de risada.

Lady disse...

Adorei o seu blog.
Amei os posts!

xD

Nanda® disse...

Putz...
Vc não faz nem idéia de como eu gostaria com todas as minhas forças esquecer vários capitulos do meu passado!

Danilo Maia disse...

Galera, valeu pelos elogios ao texto!


Ô, Atriz, quem é colaborador do BBostaB, é o Tiul, que também, é colaborador aqui.